A magia do lado de fora

Sou natural de Belo Horizonte e morei quase a vida toda em “Counting”, que é meu apelido carinhoso para Contagem, a cidade logo ao lado, quase gêmea de BH. Não prestei vestibular para nenhuma universidade fora de BH porque não queria me mudar de lá. Durante a faculdade, sempre disse que não sairia da cidade. Também durante a faculdade conheci meu atual marido e ele dizia o mesmo. Que nunca se mudaria. Mas aí eu cheguei próxima de me formar e percebi que a realidade era diferente e que principalmente os engenheiros são seres do mundo. Percebi também que os melhores salários e os empregos que pareciam fornecer mais aprendizado e oportunidades de crescimento eram os de processos de trainee. Me inscrevi em alguns desses e vários buscavam pessoas com disponibilidade para mudanças. Fui me acostumando então com a possibilidade de sair de Belo Horizonte. Primeiro entrei em uma consultoria, minha base seria BH, mas eu poderia trabalhar em projetos em qualquer estado. Essa ideia não me agradava tanto porque a essa altura do campeonato eu já era casada (leia-se “juntada”) e ir em casa de 15 em 15 dias não era exatamente uma boa ideia para o sucesso de um casamento. Recebi uma oferta para ficar em BH que pagava o dobro (o salário da consultoria era bem baixo), mas que oferecia pouca perspectiva de crescimento. Ainda assim optei pela consultoria, era um risco que eu estava disposta a correr em prol do meu sucesso profissional. Com uma semana de treinamento na consultoria recebi a notícia que tinha passado em um outro processo. Esse com salário bom e boas perspectivas de crescimento também. O único porém é que era para morar no interior do Espírito Santo. Espírito Santo! Pra mim este estado se resumia a férias em Guarapari, a diversão de quase todo mineiro. Os capixabas que me perdoem, mas o meu pensamento era “eu vou morar no interior de um estado cuja previsão do tempo nem aparece no jornal nacional”. Mas a ideia de morar na praia até que era boa, afinal, mineiros na praia são muito felizes. Além disso, sair de perto de alguns parentes também faz bem ao casamento que nessa época estava de mal a pior. Em agosto de 2008 me mudei então para Guarapari. E em setembro vieram marido e cachorro. Moramos um mês no quarto do hotel Porto do Sol e depois alugamos um cantinho pra gente. E era a primeira vez que eu chamava um lugar de meu lar. Os móveis eram da antiga casa do marido (que eu “invadi”, mas isso é papo pra outro post.. rs) ou ganhados de uma tia. Não eram escolhidos e comprados por mim, mas desta vez eu escolhi a cor das tintas, o lugar dos móveis, organizei tudo, tinha a minha cara. Claro que a casa dos meus pais também era meu lar, mas era diferente agora. Quem já saiu de casa vai me entender perfeitamente bem. Vim de mente e coração abertos, disposta a me adaptar logo. No início estranhei bastante as pessoas, bem mais frias daqui, e também a prestação de serviço (que pra ficar ruim ainda tem que melhorar, mas isso também é assunto pra outro post..). Marido ficou um bom tempo desempregado, o que foi complicado. Perdi algumas coisas da cidade grande, facilidade de encontrar alguns itens, opções de lazer como teatro ou ir a uma partida de futebol no bom e velho Mineirão (aliás, não tão velho mais, agora ta novinho). E o que eu ganhei? Ganhei todo um mundo novo!!! Ganhei qualidade de vida, ganhei mergulhos nos finais de semana vendo peixes, polvos, lagostas e tartarugas somente ao som da minha respiração. Ganhei não pegar trânsito de horas (exceto no verão…), ganhei estar em casa as 18:00 com direito e dar tempo para um mergulho na praia no horário de verão, porque o sol ainda está brilhando no céu e o mar ta lá azulzinho esperando. Ganhei ir aos lugares de bicicleta. Ganhei caminhadas à beira-mar agradecendo a Deus por uma natureza tão bela. E ganhei PAZ. Amo Belo Horizonte, minha cidade natal que visito com bastante frequência. Mas se tem uma cidade que eu também posso chamar de minha e onde me sinto em casa, essa cidade se chama Guarapari. O velho ditado diz: “se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia.” Mas um conselho que eu dou a qualquer pessoa é: se tiver oportunidade, more no litoral uma vez na vida.

Voltar a morar em Belo Horizonte? Talvez, o dia de amanhã a Deus pertence. Sair de Guarapari e morar em outro lugar? Por que não? A magia está do lado de fora da zona de conforto.

Por ora, vamos ficando por aqui. =)

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2 opiniões sobre “A magia do lado de fora

  1. Sensacional!!! Como você né ESPOSA!? Muito legal….já tenho uma esposa, amante, amiga, parceira, engenheira, cozinheira, artesã, atleta, e agora escritora acho que sou um cara de sorte por ter casado com ela… Rsrs (tudo bem ki foi na pressão , mas valeu a pena). Te Ni um monte…..

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